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Fome Zero Podcast

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By: Instituto Fome Zero Comunicação
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Bem-vindos ao podcast do Instituto Fome Zero! O Instituto Fome Zero (IFZ) reúne especialistas em Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) com a proposta de apoiar as políticas de combate à fome e a todas as formas de má nutrição, para que esta luta se torne a mais alta entre as prioridades do Brasil e da comunidade internacional.Copyright Instituto Fome Zero Comunicação Art Cooking Food & Wine
Episodes
  • CIRADR+20: Terra, Direitos e os Rumos da Reforma Agrária
    Apr 13 2026
    A Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR+20), realizada em fevereiro de 2026, na Colômbia, recolocou no centro do debate uma questão decisiva: o acesso à terra, suas formas de distribuição e os projetos de sociedade que dela decorrem. O encontro evidenciou as tensões que atravessam o cenário contemporâneo, contrapondo visões institucionais e críticas.De um lado, afirmou-se uma perspectiva institucional focada no aprimoramento de políticas públicas, governança fundiária e integração da questão agrária às agendas de segurança alimentar e sustentabilidade. Essa abordagem aposta na cooperação gradual entre Estados e organismos multilaterais. Em direção oposta, setores acadêmicos e movimentos sociais apontam os limites desse horizonte. Para esse grupo, a persistência da concentração fundiária e a financeirização da terra indicam que mudanças estruturais não ocorrem apenas por ajustes institucionais, exigindo uma reorganização social profunda que articule justiça e novas relações entre economia e natureza.As divergências na recepção dos resultados foram notáveis. Parte da sociedade civil manifestou preocupação com possíveis retrocessos nos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. A disputa ultrapassa o plano normativo, alcançando o reconhecimento político e a definição dos sujeitos de direito.Um dado alarmante revela o atual isolamento do tema: a redução drástica de países signatários em relação à conferência de 2006, em Porto Alegre. Se naquele contexto mais de cem Estados aderiram ao documento final, em 2026 foram apenas 28. O contraste sugere um cenário internacional fragmentado, onde a reforma agrária perdeu centralidade nas agendas governamentais.Ainda assim, delineia-se uma concepção ampliada de reforma agrária. O acesso à terra permanece como condição de existência digna, mas agora incorporando o reconhecimento de direitos territoriais, a regulação da propriedade por critérios ecológicos e a promoção de uma alimentação saudável. A terra deixa de ser apenas recurso produtivo para ser compreendida como base da vida social e espaço de continuidade cultural. Conceitos como soberania alimentar, agroecologia e justiça climática passam a integrar o sentido de dignidade humana.A pluralidade dos sujeitos envolvidos, como camponeses, indígenas, mulheres e jovens, evidencia que a transformação depende de autonomia e capacidade de decisão, não apenas de acesso material. Embora o papel do Estado seja fundamental, a relação entre institucionalidade e mobilização social permanece como o ponto mais sensível para viabilizar mudanças consistentes.Esta análise propõe examinar os resultados da CIRADR+20 e seus consensos frágeis. Em um contexto de crises interligadas, impõe-se a pergunta: que configuração de reforma agrária pode sustentar um futuro mais justo?
    Convidados:
    • Sérgio Sauer: Professor da UnB, diretor do Centro Brasil-China para a Agricultura Familiar e coordenador do Observatório de Conflitos Socioambientais do Matopiba.
    • Yamila Goldfarb: Geógrafa, professora visitante na UFABC, presidenta da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) e membro do GT Estudios Críticos del Desarrollo Rural.
      Moderação:
    • Sônia Moraes: Advogada agrarista, mestre pela USP e professora de Direito Agrário. Diretora da ABRA desde 1979, foi consultora do INCRA e integra o Núcleo de Economia de Francisco e Clara.
    Visite:
    • Blog CIRADR+20: https://ifz.org.br/category/ciradr20
    • Dossiê CIRADR+20: https://ifz.org.br/dossie-ciradr20
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    1 hr and 42 mins
  • Shiologia: uma nova abordagem para a Segurança Alimentar e Nutricional
    Mar 23 2026
    Na tradição chinesa, comer é um ato social profundo, refletido na saudação: “Você já comeu?”. Dessa cultura nasce a shiologia, estudo que integra o ser humano, o alimento e o ambiente.Essa abordagem utiliza o conceito de shiance, que une produção, preparo e consumo em um único campo de relações. Mais que nutrição ou economia, a alimentação é vista como uma unidade que articula indivíduo, natureza e sociedade. Assim, o alimento conecta corpo, mente e território, sendo o pilar central da organização da vida comum e da saúde coletiva.A shiologia reúne contribuições de diferentes áreas do conhecimento, incluindo nutrição, agricultura, gastronomia, economia, filosofia, saúde pública e tecnologia. A proposta é construir uma compreensão integrada dos sistemas alimentares, orientada por uma pergunta prática e permanente: de que modo a alimentação pode servir melhor às pessoas e ao planeta?Esse horizonte de reflexão se organiza também em torno da ideia de shi order, a ordem que regula os sistemas alimentares. Trata-se do conjunto de princípios e formas de governança capazes de orientar políticas públicas, práticas produtivas e estruturas de abastecimento voltadas à saúde coletiva, à sustentabilidade ambiental e à justiça social.A experiência chinesa oferece um terreno particularmente fecundo para observar essas questões. O país abriga cerca de 19% da população mundial, mas dispõe de uma parcela relativamente reduzida das terras agricultáveis e dos recursos hídricos globais. Nesse contexto, a segurança alimentar assume caráter estratégico e mobiliza planejamento de longo prazo, inovação tecnológica e políticas públicas voltadas à estabilidade do abastecimento.Nas últimas décadas, a agricultura chinesa passou por transformações profundas. Reformas institucionais, investimentos em infraestrutura rural e reorganização da produção permitiram ampliar significativamente a oferta de alimentos. Ao mesmo tempo, mudanças sociais aceleradas — crescimento da renda, urbanização e novas formas de consumo — alteraram os padrões alimentares da população, ampliando a diversidade das dietas e criando novos desafios de saúde pública.Essas transformações colocam em evidência um conjunto de questões contemporâneas. A redução da subnutrição convive com o aumento da obesidade, a intensificação produtiva traz preocupações ambientais e a modernização do comércio alimentar modifica as relações entre produtores, consumidores e territórios. Em resposta, o planejamento chinês tem buscado integrar produtividade agrícola, segurança alimentar e sustentabilidade ecológica.Nesse cenário, a shiologia oferece uma chave interpretativa especialmente fértil. Ao colocar o comedor — o ser humano concreto que se alimenta — no centro do sistema, essa abordagem amplia o debate sobre segurança alimentar e nutricional. O alimento deixa de ser apenas uma mercadoria ou um insumo produtivo e passa a ser compreendido como elemento estruturante da saúde, da cultura e da continuidade da vida coletiva.A live “Shiologia: uma nova abordagem para a Segurança Alimentar e Nutricional” convida o público a explorar esse campo de pensamento ainda pouco difundido no debate internacional. A conversa examinará como essa perspectiva pode contribuir para compreender os desafios alimentares do século XXI e para imaginar sistemas alimentares capazes de sustentar uma vida longa, saudável e socialmente equilibrada.ParticipantesWalter Belik – Professor Titular da Universidade Estadual de Campinas, cofundador e Diretor-Geral Adjunto do Instituto Fome Zero.Emiliano Graziano – Engenheiro Agrônomo, Mestre em ESG, cofundador e Diretor de Desenvolvimento Institucional do Instituto Fome Zero.Leia o artigo "Shiologia: Uma Nova Abordagem para a Segurança Alimentar e Nutricional"https://ifz.org.br/shiologia-uma-nova-abordagem-para-a-seguranca-alimentar-e-nutricional/
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    1 hr and 2 mins
  • Do Fome Zero ao Zero Hunger com José Graziano #07
    Mar 3 2026
    Fome Zero Podcast - Episódio 7
    Neste episódio, celebramos um marco histórico: Em 2026, celebram-se 25 anos do lançamento do Projeto Fome Zero, posteriormente incorporado ao primeiro governo Lula, que colocou o Brasil como referência mundial no combate à fome e à miséria. Retornamos às raízes do Fome Zero para entender como uma política pública transformou a fome de um "problema de produção" em uma questão de direito e acesso à renda.
    Para esta conversa fundamental, recebemos José Graziano da Silva, o principal mentor do programa, ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome e ex-diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Com sua vasta experiência nacional e internacional, Graziano compartilha os bastidores da criação da política que retirou o Brasil do Mapa da Fome, desde o município de Guaíbas até o seu sucesso nacional.
    Exploramos a complexidade por trás do sucesso do Fome Zero, desmistificando a ideia de que o programa se resumia apenas à transferência de renda. Graziano detalha como o Bolsa Família era apenas uma das mais de 40 iniciativas integradas, que incluíam desde o fortalecimento da agricultura familiar até o fornecimento de cisternas no semiárido e a merenda escolar.
    Além disso, o professor nos explica o sucesso do Fome Zero a nível internacional, com muitas de suas políticas sendo reconhecidas e replicadas como modelos eficazes no combate à fome e à má nutrição. Graziano também nos conta sobre sua passagem pela FAO, desafios, conquistas e discussões sobre novos paradigmas da alimentação e agricultura, como os ultraprocessados e a agroecologia.


    #Fome #FomeZero25Anos #SegurancaAlimentar #JoseGraziano #InstitutoFomeZero #PolíticasPublicas #DireitoAoAlimento #FAO
    Produção e Apresentação: Gustavo Torres
    Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital
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    58 mins
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